Com os preços dos pneus novos em alta, os pneus remold ganham espaço como alternativa para reduzir custos de manutenção. A economia, no entanto, levanta questionamentos sobre segurança, qualidade do processo e limites de uso.
Do ponto de vista técnico, o remold não é ilegal nem necessariamente inseguro. O risco está na qualidade da reforma e, sobretudo, nas condições da carcaça original — fator que nem sempre pode ser verificado apenas pela aparência.
A segurança depende de critérios rigorosos de seleção e de um processo industrial adequado, já que nem todo pneu pode ser reformado e os danos internos são um dos principais pontos de atenção.
Para veículos de passeio, recomenda-se que não haja mais de um processo de remoldagem. A estrutura precisa estar íntegra, com malhas e cintas de aço preservadas, talão sem danos e ausência de deformações ou perfurações relevantes. A norma NBR NM 225, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, define parâmetros mínimos para essa triagem.
Também há diferença entre os processos: no remold, praticamente toda a borracha é substituída e o pneu passa por nova vulcanização; na recapagem, troca-se apenas a banda de rodagem, técnica mais comum em caminhões e menos indicada para carros de passeio.
Mesmo quando produzido dentro dos padrões, o remold tende a apresentar menor margem térmica e menor previsibilidade que um pneu novo. O uso urbano, em velocidades moderadas, é o cenário mais favorável. Já rodovias, altas velocidades, calor intenso e veículos frequentemente carregados aumentam as chances de falha.
A regulamentação exige identificação na lateral do pneu, conforme a Resolução 913/2022 do Conselho Nacional de Trânsito, além do atendimento às exigências técnicas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.
O pneu remold pode ser uma alternativa viável em condições moderadas e com procedência confiável. Fora desse contexto, a economia pode sair cara.
Com informações de Iago Garcia, do Autoesporte.