Desde 1º de agosto de 2025, o teor de etanol na gasolina comum no Brasil passou de 27,5% para 30%. À época, o governo federal estimou que a mistura reduziria o preço do litro em até R$ 0,20 nos postos. No entanto, a promessa não se concretizou. A gasolina encerrou 2025 praticamente no mesmo patamar de preço e ficou mais cara em 2026.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indica que o preço médio da gasolina comum iniciou 2025 em R$ 6,17 por litro e atingiu o pico em fevereiro, com média de R$ 6,36. A partir de março, houve queda gradual até agosto, mês em que a gasolina E30 entrou em vigor, quando o valor médio ficou em R$ 6,19. Esse patamar se manteve até setembro, teve leve alta em outubro e voltou a R$ 6,19 em dezembro.
Na comparação entre janeiro e o fim de 2025, a redução foi de apenas R$ 0,02. A média anual do combustível ficou em R$ 6,24 por litro, o que indica estabilidade, e não a queda esperada.
Além disso, a partir de janeiro de 2026, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a gasolina foi reajustado em R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. Com isso, o preço final do combustível alcança pelo menos R$ 6,34, marcando o segundo ano consecutivo de alta do imposto estadual.
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) apontou que, embora o governo tenha projetado redução inicial de R$ 0,20 — posteriormente revisada para R$ 0,13 —, os dados do setor indicaram possibilidade de leve aumento. Um dos fatores foi a elevação do preço do etanol anidro no período, impulsionada pelo aumento da demanda para a produção da gasolina E30.
Especialistas destacam que o preço final ao consumidor depende de múltiplos custos e da liberdade dos postos para definir valores. Apesar disso, o governo defende a adoção da gasolina E30 como estratégia para reduzir a dependência da importação de combustíveis e diminuir a emissão de poluentes. A estimativa oficial é que a mudança evite a importação de 760 milhões de litros de gasolina por ano, amplie a produção nacional de etanol em 1,5 bilhão de litros e gere investimentos de R$ 9 bilhões no setor.
Com informações de Vitória Drehmer, do Autoesporte.