O asfalto irregular encurta a vida útil da suspensão, mas a prática revela outro fator decisivo: quanto mais confortável é o carro, menor tende a ser o cuidado do motorista, tanto ao volante quanto na manutenção básica. A suspensão sofre o equivalente a um corpo humano submetido a corridas, frenagens bruscas e curvas forçadas. É esse esforço que molas e amortecedores enfrentam quando se dirige de forma agressiva ou se transporta excesso de peso. Motoristas cuidadosos, por sua vez, ampliam a durabilidade de pastilhas, embreagem e amortecedores.

Alguns hábitos fazem diferença. Lombadas e valetas devem ser vencidas sempre de frente, evitando a diagonal, que torce o monobloco e sobrecarrega apenas três rodas. Virar o volante com o carro parado também é prejudicial, pois força pivôs, terminais e a caixa de direção, podendo causar vazamentos. Outro inimigo silencioso são as guias: bater a roda nelas afeta rolamentos, geometria da suspensão, pressão dos pneus e até a integridade da banda lateral.

A manutenção completa esse cuidado. Rodar com pneus murchos acelera o desgaste de pivôs, terminais e barras de direção, além de exigir mais esforço da direção hidráulica. Calibrar os pneus a cada abastecimento é a regra de ouro. O alinhamento não deve ser negligenciado: carro desalinhado se arrasta, aumenta o consumo e sobrecarrega a suspensão. A recomendação é conferir a cada 10 mil quilômetros. Já rodas desbalanceadas provocam trepidações que reduzem a vida útil de buchas e terminais. Alterações estéticas, como suspensão rebaixada e pneus de perfil baixo, também encurtam a longevidade de molas, batentes e amortecedores.

Com direção atenta e manutenção em dia, a suspensão trabalha dentro dos limites para os quais foi projetada, garantindo mais segurança, conforto e economia ao motorista.

Com informações de Denis Marum, do G1.