Montadoras costumam informar o tempo de recarga dos carros elétricos até 80% porque é nessa faixa que a bateria aceita a maior potência de carregamento. Entre 20% e 80%, o fluxo de energia é mais rápido e eficiente. Após esse ponto, a potência cai automaticamente para preservar a integridade das células. Por isso, o tempo até 80% é mais curto, técnico e comercialmente relevante.

O trecho final da carga é o mais sensível. As reações eletroquímicas que ocorrem dentro das baterias de íons de lítio liberam calor, e esse efeito se intensifica nos últimos 20% de carga. Segundo a pesquisadora Maria de Fátima Rosolem, da Comissão Técnica de Veículos Elétricos da SAE Brasil, a sobrecarga pode gerar calor excessivo e danos irreversíveis aos componentes internos. Repetir cargas completas com frequência aumenta o estresse do sistema, reduzindo a vida útil e, com o tempo, até a autonomia total.

Carregar apenas até 80% significa, de fato, abrir mão de parte do alcance máximo, mas em troca de maior durabilidade e segurança. A recarga parcial diminui processos de degradação e contribui para manter a bateria em boas condições ao longo dos anos. Ainda assim, alguns fabricantes não estabelecem essa recomendação de forma rígida e permitem cargas completas sem restrição.

De tempos em tempos, porém, é necessário chegar aos 100% para que o próprio veículo faça a calibração interna da estimativa de capacidade. Trata-se de um procedimento pontual, que não compromete o sistema e ajuda o carro a manter leituras mais precisas de autonomia.

Com informações de João Vitor Ferreira, da Quatro Rodas.