Comprar um carro usado exige atenção redobrada, especialmente com a quilometragem, um dos principais indicadores de desgaste e valor de mercado — e também um dos alvos mais frequentes de fraude. Identificar sinais de adulteração é essencial para evitar prejuízos e riscos à segurança.

A análise começa pelos indícios visíveis: volante, pedais, bancos, tapetes e borrachas de vedação devem apresentar desgaste compatível com o número exibido no painel. Interior muito gasto em um carro de “baixa km” é motivo para suspeita. Em modelos modernos, mesmo com painéis digitais, a manipulação ainda ocorre, mas a eletrônica embarcada dificulta alterações completas, já que módulos como câmbio, ABS e injeção também registram a quilometragem real.

A leitura com scanner automotivo é uma das verificações mais confiáveis. O equipamento compara os dados do painel com as informações gravadas na central e em outros módulos, revelando divergências. A inspeção mecânica é outro recurso importante: pneus, freios e suspensão muito desgastados podem indicar uso mais intenso do que o informado.

O histórico de revisões é uma das ferramentas mais seguras. A checagem das anotações no manual, notas fiscais e registros de concessionária permite comparar a evolução da quilometragem ao longo dos anos. Já o laudo cautelar, quando completo e emitido por empresa idônea, reforça a confiabilidade da compra, especialmente quando inclui a leitura eletrônica dos módulos.

Adulterar quilometragem é prática criminosa, enquadrada como estelionato e crime contra as relações de consumo, sujeita a pena de prisão e indenizações. Para o comprador, os danos podem ser altos: além de reparos inesperados, o valor de revenda despenca após a descoberta da fraude.

Com informações de Iago Garcia, do Autoesporte.